O dia em que o príncipe virou um sapo

Tempo de leitura: 2 minutos

É meio senso comum entre os seres humanos que um dia o encanto de um relacionamento cai por terra. Seja quais forem os gêneros envolvidos, a magia termina independentemente da varinha. Em contrapartida ao início, onde tudo conspira a favor, o final é marcado por desencontros, palavras mal escolhidas e olhares para o chão.

Um sábio em relacionamento certa vez me confidenciou que a origem de tudo está nas expectativas criadas. Segundo ele, os homens casam achando que elas vão continuar as mesmas, e as mulheres casam acreditando que eles vão mudar. Como não acontece nem uma, nem outra, as exceções hão de confirmar a regra. Faz sentido pra você?

Sem nenhum juízo de valor sobre quem está certo na construção de expectativas, vou ilustrar as duas situações num único desenho. A mulher que adorava os amigos dele quando ainda era solteiro, depois que o relacionamento muda de status já manda aquele “não sei como você é amigo daquele idiota que só fala de balada e mulher”. Na utilização de recursos financeiros é mais ou menos assim, casal solteiro despojado concorda em usar as poucas reservas em viagens e baladas. No futuro, já abastados, o ogro insiste em manter o padrão comprando uma bela lancha, enquanto ela já pensa em intercâmbio internacional para os filhos e uma casa maior. Ela mudou e ele, pelo jeito, não.

Brincadeiras a parte, não havendo consenso e ante o desgaste das alegações sobre as razões de cada lado, aproxima-se a inevitável “season finale”. Quem passou por isso mais de uma vez tem a sensação de ser a regravação de um enredo com mudança de parte do elenco.

Mas é aí que você tem que assumir o roteiro do enredo da própria história, seja qual for seu lado na situação. Primeiro, assuma a responsabilidade dos erros, nunca é dos outros. Não foram somente suas escolhas, mas até mesmo a falta delas. Segundo, olhe para o outro lado e se coloque no seu lugar pensando segundo os valores dessa pessoa. Entenda porque ela agiu daquela forma. Terceiro, aceite que dói menos. Não significa que você vai estuprar seus princípios, apenas que não pode mudar o que já aconteceu. Quarto, perdoe a si mesmo. Isso te permitirá seguir em frente, ainda que só. E, por fim, agradeça por tudo que viveu e aprendeu. Isso servirá para não repetir os erros do passado. Mao, ditador chinês, dizia “povo que não conhece sua própria história está condenado a repeti-la”.

E, se você acredita na magia do amor e na recuperação de quem você ama, exercite o “gentileza gera gentileza”, beije seu sapo. Quem sabe volta a ser o príncipe de outrora.